terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ok, agora estou animado.

Emma Stone aparece com cabelo à "Gwen Stacy" em público. Nada mal.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Expresso do Horror


Caros amigos, como devem perceber, este blog anda mais parado do que de costume. Ou seria mais adequado dizer “tão parado quanto de costume”? Isso não importa.  O que interessa é que nas compras que fiz esse ano no site da NET NIPON eu adquiri o filme “Expresso do Horror” (Horror Express, 1972), produção espanhola dirigida por Eugenio Martín, que contou com Christopher Lee e Peter Cushing, astros da Hammer, nos papéis de destaque, além de uma pequena e marcante participação de Telly Savalas. 

Lembro que assisti na televisão, no extinto Retro Channel, da Directv, e não havia gostado do filme. Devo até ter falado mal nele nos comentários de algum blogueiro, possivelmente em alguma velha postagem do “Diário de Um Cinéfilo”,  do amigo Ailton Monteiro, e lembro de Osvaldo Neto defendendo o filme. Anos depois, fazendo compras no referido site, resolvi adicionar o filme ao meu “carrinho” e, recentemente, revi o filme ao lado de minha namorada. Ao fim do filme descobri uma verdade sobre mim: eu era uma besta.

“Expresso do Horror” é um dos filmes mais divertidos e cativantes que assisti há meses e qualquer culto que o filme possua é compreensível. A história brinca maravilhosamente com os clichês do gênero, conta com uma direção segura e criativa e, ainda por cima, tem um elenco formidável. A dobradinha Lee/Cushing funciona que é uma beleza, Telly Savalas faz o seu melhor, interpretar a si mesmo com eloquência e charme, e o ator Alberto de Mendoza como o Fujardov, o padre fanático, é um tremendo ladrão de cenas. Recomendado a todos o que curtem a velha escola do horror, a qual, aliás, estou muitíssimo interessado em conhecer melhor. Quem quiser pode ver o filme por streaming ou baixar no site do Internet Archive, já que se encontra em Domínio Público. Mad Blog recomenda.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Morre Leslie Nielsen

1926-2010

Morreu hoje um dos comediantes mais engraçados e injustiçados de Hollywood. O homem que sabia ser engraçado sem gritar, ser auto-irônico e ridículo sem exagero, capaz de dizer algumas das asneiras mais engraçadas sem esboçar um sorriso. Uma pena que seus filmes nos últimos dez anos (talvez quinze anos) não faziam jus ao seu talento e presença cênica. Um sujeito que apareceu inicialmente como o galã por quem as mocinhas suspiravam, que interpretou vilões malvados com a competência dos velhos astros e, ainda por cima, foi uma das figuras mais engraçadas dos anos 80 e 90, fazendo este cinéfilo que vos escreve gargalhar por horas quando o via na TV. O mundo ficou mais sem graça hoje. Descanse paz, Leslie, e obrigado por tudo.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

George Romero no Dia da Fúria

Amigos, o mês de novembro é o início de um novo ciclo no blog "O Dia da Fúria". Dessa vez o homenageado é o excelente George Romero (parabéns pro Roberto, que matou a charada outro dia!). Os trabalhos começaram com um texto do expert Cesar Almeida sobre o primeiro longa do homem, " A Noite dos Mortos Vivos", o filme que deu origem a tudo. Acompanhem tudo aqui.

domingo, 7 de novembro de 2010

Revendo "Os Donos da Noite"

Essa semana comprei o filme “Os Donos da Noite” (We Own The Night), do James Gray. O filme continua tão bom quanto na primeira vez que assisti, mas dessa vez não conseguia parar de pensar no quanto esse filme poderia se beneficiar se fosse produzida uma continuação. Claro que o filme do jeito que está, como obra única, é um dos filmes americanos mais interessantes dos últimos dez anos, mas tanto eu quanto minha namorada concordamos que o filme tem um clima de saga familiar que remete inclusive a maior das sagas familiares do cinema, “O Poderoso Chefão”.

O filme é uma acre-doce (mais acre que doce) história de perda, superação e união, acho que poderia ser considerado uma Tragédia nos moldes gregos, tal qual o clássico dos anos 70. Há no filme alguns elementos que o tornam deveras parecido, como a presença do destino, a tentativa de ludibriá-lo por parte do protagonista, o irmão que segue fielmente os caminhos do pai, um crime que acontece contra uma pessoa próxima que o faz repensar toda a sua vida, uma perda sólida e a aceitação do destino, com toda a glória e dor que ele representa. Inclusive o amor do protagonista Bobby (Joaquin Phoenix) por Amada (Eva Mendes), de uma sinceridade inegável e mais belo ainda por ser vivido entre drogas, crime e outros excessos, acaba sendo engolido pelas circunstâncias, parecido com o que acontece com Michael (Al Pacino) e Kay Adams (Diane Keaton). Basicamente os mesmos elementos estruturais do primeiro capítulo sobre a vida dos Corleone, entretanto James Gray inverte certos elementos (mafiosos por policiais, por exemplo), transporta o filme para um universo mais próximo do seu e, curiosamente, consegue criar uma voz própria sem deixar de ser reverente a Copolla. Sem contar que o filme, apesar de policial, não soa como propaganda da polícia, embora certamente que a utilização da Corporação como destino do protagonista errático possa trazer essa interpretação. Confesso que não achei nada sobre isso, seria o diretor filho de policial?

Belíssimo filme. Em vez de novos “Velozes e Furiosos” algum produtor interessado por cinema, se é que ainda existe, devia conversar com o diretor sobre isso. 


Bangkok Knockout - A nova pedrada de Panna Rittikrai



Pelo visto esse vai tirar o gosto amargo deixado pelo Ong Bak 3.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Charles Bronson

Se o Mal de Alzheimer não tivesse vitimado Charles Buchinsky e deteriorado sua saúde física e mental, talvez o dia 3 de novembro deste ano fosse de festa. Fica aqui essa tardia homenagem a um dos grandes nomes do cinema popular dos anos 70. Um homem que certamente ficou marcado como o matador frio e infalível, o favorito dos fãs do "cinema de pedreiro" mas que na verdade era apenas um homem reservado, que gostava de pintar nas horas vagas, sabia 4 idiomas e teve uma infância tão pobre que provavelmente marcou todas as suas escolhas como artista. Em sua homenagem fica aqui um texto do crítico americano Roger Ebert que o entrevistou em 74, ano em que filmava "Desejo de Matar", o filme que o alçou ao estrelato.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Resenhas do feriadão

O Alvo Final (Wrong Side of Town)

Sujeito sai com a patroa e o novo casal vizinho curtir uma noitada na cidade e se vê numa confusão quando mata acidentalmente o sujeito que tenta violentar sua esposa.  Filme B que conta com dois astros da WWE, Rob Van Dam (que é realmente muito parecido com o belga) e o grandalhão Dave Batista e poderia ter sido especial. O coreógrafo é um sujeito chamado Marrese Crump, que também atua no filme e que, aparentemente, é um grande artista marcial e vai inclusive trabalhar na Tailândia no próximo filme de Jeeja Yanin, estrela de Chocolate, mas seu trabalho é arruinado por um diretor que não sabe aparentemente quase nada de como filmar ação. Fora que o Van Dam, embora canastrão, é tremendo performer, extremamente ágil pra alguém do seu tamanho, mas que não teve seus talentos devidamente explorados, como no “clássico” Lua Sangrenta, com o Gary Daniels. Uma lástima. Saudades da PM Entertainment.

Beatdown

Brigador de rua (Rudy Youngblood, de Apocalypto) vai para o interior fugir de sujeito que matou seu irmão e que esá lhe cobrando uma grana altíssima. Lá ele vai rever seu velho pai, com quem nunca se deu bem, se apaixonar e se envolver em lutas clandestinas.  Esse filme é curioso. Embora o diretor seja um dublê conceituado, com mais de dez anos de experiência, o sujeito deve ter em sua casa um pequeno altar com a fotografia de Michael Bay, além de uma filmoteca que conta apenas com filmes deste diretor, Chamas da Vingança do Tony Scott, Romeu e Julieta do Baz Luhrmann e videoclipes da MTV. O sujeito treme e usa efeitinhos em TODAS as cenas do filme, até nos diálogos. A cena final em que o protagonista está diante do chefão do mal é uma das coisas mais mal filmadas que já vi. O Uwe Boll fica parecendo o Copolla ao lado desse diretor. Mais Woody Allen , Wilson Yip e Isaac Florentine e menos vídeo game, Paul Greengrass  e MTV pra você aprender a filmar diálogos e lutas, estúpido! Saudades da PM Entertainment. (2)

Entretanto, as coreografias (quase arruinadas pelo beócio do diretor) e os atores seguraram a onda pra mim. O lutador de MMA Michael Risping surpreendeu-me, bastante carismático, poderia facilmente fazer filmes de gangster na sua Inglaterra natal, e Danny Trejo, bom, é Danny Trejo. Legal vê-lo fazendo um senhor temente a Deus que se move numa cadeira de rodas, longe dos tipos marginalizados e durões que o tornaram famoso. O filme tem também o injustiçado Eric Balfour como o irmão ciumento e violento da namorada de Rudy Youngblood. Aliás, me equivoco, esse sim é o grande injustiçado. Como é triste ver um sujeito como ele, cuja experiência anterior foi um filmaço de Mad Mel, ter que trabalhar com um diretor tão meia boca. Será que é porque é índio?

Atração Perigosa (The Town)

Pra não dizer que não falei de flores, esse me surpreendeu. Nunca fui muito com a cara do Ben Affleck, mas aqui ele não apenas atuou bem como se mostrou um diretor bastante competente. Além de contar com um elenco bacana lhe dando suporte, como Jeremy Renner, John Hamm e a excelente Rebecca Hall, o sujeito dirige com segurança, bom ritmo, bons enquadramentos e faz um arroz com feijão muito bem cozido. Vou tentar assistir ao Medo da Verdade, filme anterior do sujeito. Fica aí a dica de um filmezinho bem bacana para se assistir no cinema e, quem sabe, fica a promessa de um diretor competente que pode crescer bastante.

domingo, 31 de outubro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sam Peckinpah concluído no blog "Dia da Fúria"

Pessoal, como alguns de vocês devem saber, faço parte do coletivo "O Dia da Fúria", blog  formado por vários dos amigos que estão em meu blogroll e dedicado a analisar a filmografia de diretores admirados pelo nosso coletivo. Nos meses de setembro e outubro nos dedicamos a filmografia de um dos maiores cineastas americanos dos últimos 50 anos, o digníssimo Bloody Sam Peckinpah. Quem quiser conferir os textos completos basta clicar aqui. Eu mesmo contribui com análises de duas obras do homem, "Elite de Assassinos" e "O Casal Osterman". Espero que seja tão prazeiroso para vocês quanto com certeza foi para nós. Fiquem ligados porque ainda tem mais diretores pela frente. Sem querer entregar o ouro, digamos apenas que o próximo diretor lançou seu primeiro filme em 1968 e o gênero em que se dedicou foi deveras copiado mas raramente igualado. Em suma, obrigatório! ;)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Filme de Deadpool ainda não tem um diretor escolhido...

 ... mas aparentemente o atual favorito para dirigir o filme é um sueco chamado Adam Berg que fez este curta.



Roteiro dos caras do Zumbilândia e (possível) direção desse sujeito. Não deve ser exatamente o "O Poderoso Chefão" do século 21, mas pode dar pro gasto.

Teaser do filme Super ou "That's how you take down a motherfucker!"


SUPER World Premiere Clip from Ted Hope on Vimeo.

Estamos de olho!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Descanse em paz, camarada

Caros amigos, como podem perceber, sou um sujeito deveras sentimental. Por vezes, quando certas figuras partem, eu meio que sinto como se fosse um parente meu que me abandona, como muitos outros o fazem. Eu sei, isso deve parecer bobagem para muitos de vocês, sei também que a vida tem dessas, ninguém vive para sempre, mas sinto que é meu dever escrever algumas linhas em homenagem a este que me fez repensar toda  a realidade.

Eu, que aprecio cada vez mais com o passar dos tempos o estudo da filosofia, que compreendo a importancia da racionalidade e até mesmo do ceticismo para que certos totens e tabus sejam devidamente desfeitos quando necessário, fiquei abalado quando o conheci. Eu, que estive por algum momento em dúvidas sobre minhas convicções, algumas delas ligadas a minha criação cristã, já estava acreditando que o mundo não era um lugar para a magia, que o inexplicável era  apenas um truque, que os cientistas, esses Mr. Ms da existência, adoram desvendar e expor a quem quiser ver. Eu, que quando pensava que nada mais havia de oculto ou mesmo de mágico, me deparei com sua presença maciça na tela de minha TV e voltei a ser menino. 

Você que deixou a mim e a muitos outros extremamente confusos, merece todo a nossa consideração. Sei que você não foi uma unanimidade, que sua vida ainda será alvo de muita desconfiança por parte de muitos, mas nós, seus admiradores, sabemos que isso é bobagem. O mundo, sem dúvida alguma, perdeu um ídolo. Contudo, como dizia Quintana, agora você passou a ser menos dos olhos e mais do coração, até que, brevemente, possamos dizer: parece um sonho que tenha vivido.

Por isso que, nesse momento, abro meu coração e digo:

DESCANSE EM PAZ, POLVO PAUL!
 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Para Hugh Jackman, em seu 42º aniversário

Isso é pelo que você fez com o Wolverine, babaca!!!

domingo, 12 de setembro de 2010

Dose dupla de Bruce - Sem trocadilho



Na semana passada tive uma grande vontade de rever alguns filmes do Bruce Lee. Foi o que fiz. Esta introdução foi apenas para introduzir mesmo, não tenho nada a dizer além do óbvio, queria ver filmes dele e vi. Eis as minhas impressões:

Operação Dragão (Enter The Dragon, 1973)


O criminoso Han (Shek Kin), ex-monge de Templo Shaolin, realiza torneio de artes marciais em sua ilha particular, como fachada para seu negócio internacional de drogas e prostituição. Um playboy endividado (John Saxon), um negro que não se rebaixa ante ao “Homem” (Jim Kelly) e, é claro, um artista marcial recrutado pela CIA (Bruce Lee) são convidados para este torneio. Um clássico B, sem dúvida. Robert Clouse pode estar longe de ser um Sam Peckinpah, mas fez um filme de ação simpático, com bom ritmo e nunca chato. O trio Bruce Lee/John Saxon/Jim Kelly poderia ter rendido um “men on a mission” acidental mais inspirado, mas tudo bem. Assistir ao Bruce Lee exibindo sua superioridade marcial contra os capangas de Han e em cima do mesmo é sempre divertido, assim como a interação entre Saxon e Kelly. Aliás, não lembrava do quanto era divertida a cena em que Saxon e Kelly apostam suas lutas com um chinês que mais parece uma versão maoísta de Adolf Hitler. “The Maoist Hitler”, eis o grande exploitation nunca feito.

Só é uma pena que o Bruce Lee tinha de demonstrar sua superioridade marcial de forma tão veemente, seu embate contra O’Hara (Bob Wall), o homem que matou sua irmã e contra o velho, mas habilidoso, Han poderiam ter sido mais disputados. Mas tudo bem. Talvez o mais verossímil seja ver Bruce despachando seus adversários sem dificuldade mesmo. Aliás, vendo esse filme, fico pensando se Bruce Lee não seria uma espécie de Steve McQueen asiático e como seria interessante se tivessem filmado juntos. Mas acho que nunca saberemos. Que droga.

O Dragão Chinês (The Big Boss, 1971)


O filme que sedimentou o “Dragão” como um astro. Um jovem chinês vai para a Tailândia em busca de trabalho. Lá, além de emprego, ele encontrará violência e morte. Aparentemente o filme seria protagonizado pelo James Tien, o sujeito que acolhe Bruce em Hong Kong, mas com a mudança de diretores decidiram dar o crédito ao nosso querido Lee. Bruce só vai lutar mesmo com quase uma hora de duração, o filme não é tão agitado quanto Operação Dragão, lançado dois anos depois, até porque seu personagem tenta ao máximo zelar por sua promessa de não lutar com ninguém. Mas quando luta...

É incrível como Bruce se movia mais rápido e dava golpes mais bonitos que praticamente todo mundo com quem contracenava. Fico imaginando como seria vê-lo em ação mais pro fim dos anos 70, onde as coreografias marciais alcançaram um nível bem mais elevado. Entretanto, não consigo imaginar o Bruce lutando em um Shape, como fizeram Sammo Hung e Gordon Liu. Aliás, se Bruce Lee chamasse o Gordon Liu, o Chen Sing e o Sammo Hung ou o Jackie Chan ele poderia fazer sua versão de “Sete Homens e Um Destino”, onde ele seria o McQueen, é claro, Liu seria Yul Brynner, Sing seria o Charles Bronson e o Humg (ou o Chan) seriam o jovem pistoleiro. Mas já estou divagando.

Lo Wei, o diretor, não é exatamente o cineasta mais talentoso do mundo, mas criou um filme até bastante redondo, brutal (o mais sangrento de Lee) e que apesar de alguns equívocos é um filme bem legal, me remeteu um pouco os filmes de ação que se faziam no começo dos anos 70 em Hollywood, como os trabalhos do Winner com o Charles Bronson. Só que com uma atmosfera mais cafona, pobre e suja, como uma cruza entre um thriller, um filme mundo cão e kung fu. Parafraseando Charles Bronson, pode não ser um Bergman, mas dá pra se divertir.

sábado, 28 de agosto de 2010

Os Mercenários (The Expendables, 2010)


Eis que finalmente assisto ao filme que seria o “Cidadão Kane” da “cascagrossice” cinematográfica. Sylvester Stallone chamou alguns dos nomes mais marcantes do cinema de ação dos anos 80, 90 e 00 para fazer um daqueles filmes simples, sem refinamento, mas que envolviam um mínimo de 50 mortes por tiros, facas e espancamentos por parte do protagonista.

Para começar gostaria de lembrar que uma vez eu dizia em uma palestra que dei sobre cinema, uma dessas que faço frequentemente nas mesas de botequim do meu bairro ,onde divido com mais dois indivíduos cujos nomes não me recordo, que não existia violência gratuita no cinema, existem apenas os bons e os maus filmes. Com certeza muitos julgaram este filme, assim como vários outros nas filmografias dos envolvidos no projeto, como  “descerebrado”, desses que faz “apologia a violência gratuita”. Mas, ora bolas, como que um bando de mercenários derrubariam um ditador sulamericano? Com placas dizendo “abaixo a ditadura” e ensaios fenomenológicos de Jean Paul Sartre? Nada contra os acadêmicos, eu mesmo adoro vários pensadores e críticos, mas fazer o Stallone interpretando um leitor de Noam Chomsky que vende seus serviços intelectuais para CIA não faria muito sentido, embora eu acredite que ver o Dolph Lundgren encarnando um Pós-doutor em filosofia, com especialização no pensamento racionalista de Bertrand Russel, faixa preta de Karatê certamente que me chamaria a atenção. Mas já estou divagando. O fato é que “Os Mercenários” é um filme bacana, divertido, mas que rendeu sim menos do que a comunidade cinéfila estava esperando. Quero dizer, é melhor do que muita coisa, mas podia e devia ter sido melhor. Stallone filmando lutas como se fosse o Paul Greengrass é inconcebível. Seria como o David Coverdale lançando um disco tendo como banda de apoio o Simple Plan.

Os personagens então, dispensáveis como diz a tradução literal do título do filme. Jet Li desperdiçado, o momento Schwarza, Sly e Willis meio minguado e com pouco charme. Os destaques vão para Lundgren, divertido como um sujeito com miolos a menos mas agressividade a mais, pro Eric Roberts como a epítome do vilão mau caráter e assassino, dono das melhores tiradas do filme, e Mickey Rourke. Incrível como esse homem consegue trabalhar com tão pouco. O diálogo entre ele e o Stallone, na cena, aliás, mais bem filmada em toda a película, é capaz de comover até o jiujiteiro mais tradicionalista. Agora, o que me deixa meio triste é o Gary Daniels, um dos meus astros favoritos do cinema de baixo orçamento da década de 90, lutar contra o Jet Li e o Jason Statham e a câmera do Stallone atrapalhar a fruição do confronto. Digo, esse deve ter sido o highlight da carreira de Daniels, assim como pro Don Wilson foi aparecer em “Say Anything” ao lado de um jovem John Cusack e, anos mais tarde, enfrentar o Chris O’Donnel em “Batman Eternamente”. Po, isso era pra ser mais marcante que o Billy Drago matando o Sean Connery em “Os Intocáveis”!

Mas, se nem tudo é ouro, não se pode acusar o filme de chato ou um fracasso completo. As lutas mal filmadas são compensadas com boas cenas de tiroteio, o grosso do filme, e as explosões. A cena do Sly com Statham brigando contra militares em Vilena, país fictício onde se passa a história, culminando com a cena do avião ficarão em minha memória por um bom tempo. Se o Stallone acertar as gorduras do filme pra continuação estaremos diante, aí sim, do filmaço prometido.

Mudando de assunto eu, um grande entusiasta de rip offs e outras patifarias, acho que deveriam fazer um filme em que o Eric Roberts, junto do agente interpretado pelo Gary Daniels, tivessem que se juntar aos personagem maluco do Dolph Lundgren pra fazer algum estrago ou dominar algum país pequeno, o que fosse. O título do filme poderia ser "The Company Men" ou "Damnation", uma reflexão sobre a influência de uma certa nação imperialista sobre países de terceiro mundo. Poderiam filmar tudo nas Filipinas, podendo explodir o triplo de coisas caso os preços ainda sejam acessíveis como no passado, e teríamos o melhor dos dois mundos: Eric Roberts em algum monólogo reafirmando sua superioridade e seu desejo em ser soberano, dialogando de maneira psicótica com a teoria do "Super-Homem" Nietszcheana, Dolph Lundgren como o mercenário que participa de qualquer coisa desde que lhe seja permitido matar um monte de gente, numa alusão capenga ao Heidegger e Gary Daniels como o fiel escudeiro de Roberts, que no decorrer do filme perceberia que o poder é corrupto e que deseja abandonar o barco após ajudar o velho companheiro, mas será tarde. A base pra isso seria um plágio descarado ao filme “O Homem que Queria Ser Rei”,  junto ao “Homens de Guerra” com pitadas de “Riot” e “Operação Kickboxer”.As duas últimas seriam apenas porque são dois de meus filmes favoritos do Daniels e do Roberts, respectivamente., não queria dar atenção apenas ao Lundgren. Eu até colocaria o Kenneth Tigar e o Philip Rhee como coadjuvantes e uma foto do Brandon Lee com o Lundgren, tirada dos sets do “Massacre no Bairro Japonês”, em homenagem ao falecido. Poderiam até mesmo mostrar um Flashback do Lee dizendo a ele “você tem o maior pênis que já vi”, para reforçar a intimidade entre os dois. no passado e como sua ausência parece ter deixado um buraco no peito de Lundgren. Bom, talvez a ultima parte pudesse ser diferente. O importante é algum produtor picareta ler esta postagem, arrumar o dinheiro e fazer o filme. Fiquemos na espera! 


Atualização: O senhor Otávio Pereira, mais conhecido como Octavius, do Neurovisual Experiences, sugeriu que na já clássica cena do Flashback de Dolph Lundgren recordando Brandon Lee, rolasse uma canção de amor no plano de fundo. Sugeri inicialmente Cindy Lauper, mas acho que essa aqui traduziria melhor a relação entre os dois personagens: 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Stallone e os Miquinhos Adestrados ou Agora já deu...

Pessoal, quero que saibam que, apesar de nossos vários problemas, acho bem legal ser brasileiro. Não tenho vergonha de ter nascido aqui mesmo com várias figuras deploráveis que dominavam e ainda dominam nossa política, reconheço que parte de nossas mazelas talvez não sejam mazelas pra muitos países, mas nós temos sim motivo de nos orgulhar de uma série de coisas. Tivemos o Movimento Antropofágico, Machado de Assis, o Cartola, os falecidos Nelsons Rodrigues e Gonçalves e, ainda vivo, o Paulo Cesar Peréio. Somos diferentes de vários países e,  em muitos casos, pra melhor. Rimos de morte da sogra, troçamos o chifre pessoal ou alheio, somos bons de bola e, em muitos lugares por aqui, vemos cenas inusitadas como pessoas de baixa renda que por pouco não passam fome fazendo Sopão pra mendigos. Temos uma série de patifarias e falhas de caráter, claro,  não existe nação que fique intacta, mas, comparativamente, matamos menos que os ingleses, franceses ou os espanhóis. Não devemos ser endeusados, assim como ninguém que respira, come e excreta. Mas, cacete, quando inventamos de ser imbecis e equivocados não ficamos devendo nada a nenhuma nação. Vejam a última que recebi sobre a polêmica dos "Mercenários":

"Bilheteria Zero para o Stallone


Foi com tom de deboche e fazendo piadinhas de mau gosto que Sylvester Stallone  falou sobre a filmagem no Brasil do filme Os mercenários, do qual é diretor,  durante a feira Comic-Con 2010, em San Diego.
Podiamos matar pessoas, explodir tudo, e eles (os brasileiros) ainda diziam  obrigado, disse o ator, afirmando que os produtores tiveram aqui liberdade para  gravar sequências mais agressivas, usar armas mais perigosas e até destruir  propriedades. E ele ainda debochou da hospitalidade, dizendo que os brasileiros  agradeciam e ainda ofereciam um macaco para eles levarem para casa. Os  brasileiros estão indignados com as declarações de Silvester  Stallone! Munido de arrogância, prepotência e preconceito esse atorzinho medíocre viu-se no direito de denegrir a  imagem do nosso país em um evento nos Estados Unidos. Após ter sido  extremamente bem recebido no Rio de Janeiro, retribuiu com uma grande tirada de sarro  com a cara de cada brasileiro. Dia 13/08 foi o  lançamento do filme Os Mercenários cujo título tem tudo a ver com a filosofia de vida dos americanos.  
A idéia é a criação de uma corrente para provocar bilheteria zero, nesse dia,  no Brasil. Afinal de contas, o que ganharemos em assistir tal filme recheado de  violência e de atuações medíocres? O cinema brasileiro produz filmes  infinitamente melhores a partir de roteiros inteligentes e temas que levantam  discussões acerca do comportamento humano, diferenças sociais, humor etc.
Precisamos dar uma resposta a tais declarações mostrando ao mundo que não há  mais lugar para o preconceito."

Poderia responder simplesmente que "no dia que o Selton Mello der uma voadora igual ao Jet Li eu apóio essa iniciativa", contudo, já estou um pouco farto dessa história. Francamente, foi só uma piada. Muito pior fazem os nossos "cineastas trinta horas" ou a Globo Filmes, essas castas que dominam os grandes centros culturais brasileiros. Ainda há quem tente denegrir indivíduos REALMENTE críticos e especiais, como Glauber Rocha, ou figuras que "simplesmente" querem trabalhar com cinema popular e trazer uma identidade brasileira em meio aos multiplexes, Crepúsculos e outras patifarias, como Zé do Caixão enquanto elogiam políticas de governo problemáticas e que só serviriam para abrir ainda mais as nossas pernas ante o mercado externo. Você pode não gostar dos dois cineastas que citei, mas são figuras importantes em nossa história e que, francamente, merecem pelo menos respeito. 

O Stallone pode ser um monte de coisas, canastrão, tacanho e, aparentemente, caloteiro, como a mídia andou noticiando, mas dirige sim melhor que muita gente aqui. Não merece ser endeusado, é certamente um cinema menor do que, sei lá, um Copolla, pra ficarmos entre os americanos, mas é melhor do que um monte de "visionários". Tudo o que ele fez foi fazer uma graça com o seu público utilizando um certo estereótipo nosso que existe lá. Ele não exatamente contribui para que sejamos taxados de bonitos, mas é só uma piada. Já viram Family Guy? O sujeito zomba de TODOS os tipo que co-habitam a América e a, ainda assim, é assistido por muita gente lá fora. Querem ser revolucionários? Deixem de pagar algum imposto para ferir algum patife em Brasília ou, pelo menos, parem de babar o ovo de qualquer indivíduo de status que venha de lá e de chamá-lo de "gênio", "distinto" ou "maravilhoso". Isso talvez causasse algum efeito. Boicotar o filme do Stallone porque ele fez uma piada ruim sobre "a nossa gente" equivale a "xingar muito no Twitter" uma figura cretina como um Collor ou Sarney.

Em suma, quer ver o filme, veja, não quer, tudo bem. Mas, por favor, saiba escolhar suas batalhas ou pelo menos arrume uma de verdade para lutar, Acima de tudo: não perturbem minha caixa de emails!

domingo, 20 de junho de 2010

Legend of the Fist: The Return of Chen Zhen


O diretor Andrew Lau NÃO é o cineasta mais sólido de seu país. O filme corre o risco de ser mais raso que banheira de criança e com certeza um espectador mais exigente, como os amigos Leandro Caraça e Davi Oliveira Pinheiro, apontarão nele seus problemas mais graves. Mas, cá entre nós, não promete ser tão gostoso de ver quanto pizza calabresa e Coca-cola? Numa época em que o cinema de ação parece desaprendido a filmar um soquinho na cara, acho que daqui pra frente teremos um passatempo adorável e, desde já, esse filme está na minha lista de espera, junto ao novo do Cronenberg, do Woody Allen, ds filmes da Marvel e o Besouro Verde. Será que atualmente, no cinema de kung fu chinês, só Donnie Yen salva?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Clint Eastwood, em seu octagésimo aniversário

Sei que boa parte do mundo chora a morte de Dennis Hopper, ocorrida no último sábado, dia 29 de maio. Mas o mundo continua e, se por um lado lamenta-se a morte de um ícone, podemos prestigiar a vida de outro. Clinton Eastwood Jr comemora hoje 80 anos de idade com muito vigor e uma série de clássicos em seu currículo, seja como ator ou como diretor. Uma figura formidável, que conseguiu romper com o estereótipo de homem de ação (que desempenhou com talento e afinco) e se tornar um diretor que passeou pelos mais diversos gêneros com maestria, mostrando inteligência, sensibilidade e talento pouco visto atualmente em um cinema americano que já teve dias melhores. Fiquem agora com duas cenas de "Impacto Fulminante" (Sudden Impact, 1983), o quarto filme da série Dirty Harry, dirigido e protagonizado pelo próprio, que, aliás, foi o filme que me fez seu fã. Vida longa ao octagenário de ferro.





quinta-feira, 18 de março de 2010

Por um punhado de Resenhas – 1ª Parte

Amigos: como vocês sabem, além de arrogante, bobo, sem graça, gordo, feio e não ter uma namorada, eu também sou um péssimo blogueiro. Se fossemos comparar minha atuação e atenção com este blog com uma relação amorosa, bom, acho que eu seria o Kiefer Sutherland e o “Mad Blog” a Julia Roberts. Mas deixemos de conversa e vamos começar estas mini resenhas com filmes de ação que assisti recentemente.

Lutador de Rua (Blood and Bone, 09) de Bem Ramsey

Essa produção lançada direto no mercado de DVD é uma mostra de que tendo um roteiro mais ou menos nas mãos de um diretor que não filme cenas de ação como um completo imbecil e tenha certa noção de ritmo, embora não seja um Isaac Florentine, e um sujeito carismático que seja bom de luta e possua firmeza em atuar com uma expressão apenas (coisa muito mais difícil do que as pessoas pensam), sai algo possível de ser consumido com a mesma empolgação com que se come um prato de jardineira tomando uma cerveja com os amigos em um botequim sujo de esquina. Longe de ser perfeito e repleto de gordurinhas, mas cai que é uma maravilha se o seu paladar e estômago forem fortes. Historia simples: ex-presidiário se envolve em lutas ilegais para realizar um secreto plano de vingança. Michael Jai White deve ser um dos caras mais subestimados da industria e é difícil de acreditar que o diretor do filme seja o roteirista da famigerada adaptação de Dragon Ball Z. Muita porrada, coreografada por J.J. Perry e participações especiais de Kimbo Slice, Bob Sapp e da linda Gina Carano em uma rápida porém simpática ponta. Pra quem acha que filme bom tem que ter no mínimo cinqüenta pessoas com o nariz quebrado.

Merantau (idem, 09) de Gareth Evans

Esse também é bacana. Aliás, bacaníssimo. Trama simples, similar a do tailandês “Ong Bak”, onde o protagonista Yuda (o novato Iko Uwais), jovem do interior que vai a cidade querendo ser um mestre de artes marciais, usa todas as suas técnicas em Silat para descer o sarrafo em traficantes de mulheres. Destaque para as excelentes cenas de luta e para os vilões Ratger e Luc, interpretados por Mads Koudal e Laurent Buson. O primeiro não luta tão bem quanto o segundo, mas deu bastante gás em sua interpretação de vilão sanguinário, pervertido e possivelmente homossexual, e aparentemente é um ator de certa fama na Dinamarca. Já Buson, pelo que li na internet, é membro de uma equipe de dublês de Hong Kong formada apenas por ocidentais, o que não e pouca merda não. Que o cinema Indonésio lance mais filmes como esse. O protagonista, como devem ter percebido pela minha economia em elogios, não tem tanta presença e certamente tem pouca intimidade com as câmeras, mas é muito talentoso como performer e achei sua atuação superior a de Tony Jaa em sua estréia. Claro que isso interessa menos do que a Karina Bacchi vestida com trajes de mulheres islâmicas discorrendo sobre o Alcorão, mas é um ponto positivo, espero que um novo astro tenha nascido com esse filme. Detalhe que a versão que assisti é a que saiu nos Estados Unidos, que, de acordo com o IMDB, tem cerca de 28 minutos a menos. Se alguém souber o que perdi (ou mesmo ganhei) vendo essa versão, por favor, me diga.

A Luta do Dragão (Dragon Fight, 89) de Billy Tang

Esse é da época em que Jet Li era Jet Lee. Antes das cordas e de interpretar Wong Fei Hung, ele interpreta um jovem mestre em Wushu, Jimmy, que, graças a um crime cometido pelo seu “irmão” Tiger (o ótimo Dick Wei), acaba ficando na América como fugitivo e imigrante ilegal. Enquanto ele tenta seguir com sua vida trabalhando em um mercadinho com o mulherengo e cafajeste Andy (Stephen Chow, também antes de virar superstar), Tiger se torna homem de confiança da máfia chinesa. Claro que uma hora isso vai dar merda... Não é um dos melhores da carreira do Li, mas é um filme bem divertido e com cenas de ação bem bacanas. Uma boa oportunidade de ver o astro saindo no braço sem artifícios. Agradeço ao amigo Takeo Maruyama, que me arrumou uma cópia do DVD gringo por um preço camarada. Até as próximas, onde falo das comédias que vi recentemente.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Brás Cubas (1985)


Amigos, já faz um tempo – mais de uma semana, na verdade – que não escrevo nada aqui. A verdade é que andei meio distante do cinema, embora tenha visto filmes até bem interessantes, mas dos quais não me senti preparado para falar sobre. Procurando matar minha sede de filmes, fui à locadora e aluguei vários, aos quais posso acabar comentando futuramente, mas, por enquanto, gostaria de falar sobre a obra “Brás Cubas”, do diretor Julio Bressane, baseado no livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis que, curiosamente, assisti em outras circunstâncias.
Não me sinto preparado, na verdade, para redigir um texto analítico mais formal, ou mesmo de escrever sobre ele da maneira habitual. Não, amigos. Gostaria de, no entanto, começar de verdade essa postagem transcrevendo um pequeno trecho da obra “Truffaut/Hitchcock”, o famosíssimo livro que conta com uma série de entrevistas do francês François Truffaut com o inglês Alfred Hitchcock, em que ambos conversam sobre a adaptação de clássicos literários para o cinema:
“Truffaut- (...) Há um grande número de adaptações na sua obra, mas na maior parte das vezes se trata de uma literatura estritamente recreativa, de romances populares que o senhor remaneja ao seu modo até que se tornem filmes de Hitchcock. Entre as pessoas que o admiram, algumas desejariam que o senhor fizesse adaptações de obras importantes e ambiciosas, Crime e Castigo, de Dostoievski, por exemplo.
Hitchcock- Sim, mas eu jamais o faria porque Crime e Castigo é a obra de um outro, justamente. Fala-se frequentemente de cineastas que, em Hollywood, deformam a obra original. Minha intenção é não fazer isso nunca . Leio uma história apenas uma vez. Quando a ideia de base me convém, eu a adoto, esqueço completamente o livro e fabrico cinema. (...) O que não compreendo é que alguém se apodere realmente de uma obra, de um bom romance que o autor levou três, quatro anos para escrever que é toda a sua vida.(...)
Truffaut- Isso explica porque não rodará Crime e Castigo.
Hitchcock- Acrescento que, se rodasse Crime e Castigo, isso não seria bom de qualquer maneira.
Truffaut- Por quê?
Hitchcock- Se você toma um romance de Dostoievski, não apenas Crime e Castigo, não importa qual deles, há palavras demais lá dentro e todas têm uma função.
Truffaut- E por definição uma obra-prima é alguma coisa que encontrou sua forma perfeita, sua forma definitiva? (
Hitchcock- Exatamente. (...)
Pois bem. Assisti nesse fim de semana a adaptação citada no primeiro parágrafo desta postagem. Segue uma breve ilustração para entenderem o que eu vi:
Imaginem Machado de Assis caminhando na rua. Ambos estão tranqüilos, quase que em sintonia, a vida, seguindo o seu tedioso e repetitivo ritmo. O nosso Imortal não tem, naquele instante, absolutamente nada demais ocupando seus pensamentos, Machado apenas caminha em direção ao lugar que pretende ir, poderia ser muito bem a padaria, um restaurante, a casa de um amigo ou sua própria.

Mas ele não está só. A sua espreita, um vil Julio Bressane o acompanha, obsessiva e calmamente. Machado não imagina que ele exista, quanto mais que o biltre o segue, contudo o perigo está muito próximo, a poucos passos de cheira-lo no cangote. O escritor está próximo a um beco e o diretor, cuidadosamente, aperta os seus passos. Seu olhar denuncia uma fúria e uma tara quase idióticas e sua mão segura um pedaço de ferro.

De repente, já colado a Machado, Bressane, o bastardo, o acerta na cabeça com sua barra de ferro. Machado cai atordoado. Julio sabia que aquele lugar passa muito pouca gente e que, naquela tarde, todos estariam mais ligados em assistir ao jogo da seleção brasileira. O cineasta o segura pelas pernas e arrasta o homem para o beco. O que se vê então é de causar pesadelos aos mais fortes: Bressane arranca as calças de machado e começa a currá-lo. Machado está completamente aturdido com a pancada, quase inconsciente, mas sua expressão denuncia dor e desespero. De alguma maneira isso parece excitar ainda mais o calhorda. Ele penetra com cada vez mais força o pobre escritor, levanta-se, termina de ejacular na boca de um quase morto e abandona sua vítima com as calças arriadas. Parabéns, Bressane. Você cometeu um dos crimes mais perversos e mais desalmados em toda a história da cultura nacional.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Eric Idle - Life will get you in the end

Uma pequena reflexão carnavalesca para todos nós, os malditos vivos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Chang Cheh - Em Memória



Se uma doença pulmonar não o tivesse levado há quase oito anos atrás Chang Cheh faria hoje 87 anos. Para celebrarmos essa data tão especial a todos nós, seus admiradores, segue uma filmografia selecionada, alguns dos ainda poucos filmes que vi do diretor que me causaram boas afetações:
Sangue de Heróis (The Heroic Ones, 1970)

Um rei mongol decide dar cabo de todos os seus maiores inimigos. Para tal reúne nove de seus generais, que trata como seus filhos. Mas a inveja irá causar males irreversíveis dentro da família. Apesar do filme ser principalmente do boa praça David Chiang, a melhor cena de ação é protagonizada por Ti Lung, que enfrenta praticamente um exército inteiro com uma lança enquanto tenta proteger o rei embriagado. Participação especial de um careca Bolo Yeung.

Duelo de Punhos (Duel of Fists, 1971) e Hong Kong – A Cidade do Crime (Angry Guest, 1972)
Essa dobradinha está longe de ser uma unanimidade, mas tenho bastante apreço por ela.  No primeiro filme David Chiang é um engenheiro cujo pai, um mestre de kung fu, confessa a beira da morte que teve um filho fora de seu casamento com uma tailandesa, e pede pra que ele encontre. Mas eles não sabem que o outro filho é Ti Lung, um talento dos ringues de Muay Thai que se encontra em sérios problemas com bandidos que exigem que ele entregue uma luta. As cenas de boxe tailandês que percorrem o primeiro filme estão longe de serem perfeitas, mas achei um filme divertido e é simplesmente um barato ver o David Chiang usando as roupas da moda dos anos 70 passeando por Bangkok. Em certos momentos, por algum motivo, me lembra o filme que o Roberto Carlos não fez. 
No segundo a coisa melhora, os irmãos se envolvem com a Yakuza e precisam derrotar os cruéis bandidos, liderados pelo próprio diretor Chang Cheh e contando com o exímio carateca Yasuaki Kurata como braço direito. Longe do clima trágico e solene de seus outros filmes, essa dobradinha deve ser o cinema mais convencional e pop do diretor, que mostra bastante talento.
O Assassino de Shantung (The Boxer From Shantung, 1972)
Chen Kuan Tai é um pobre rapaz que chega a Shanghai em busca de oportunidades e consegue alcançar fama e fortuna com a única coisa que possui: os punhos. Além das cenas de ação muito bem encenadas, em especial a brutal sequencia final, o filme ainda retrata de maneira sensível a exclusão, sem cair em sociologismos tolos e perder a aura trágica e heróica que sempre acompanha a filmografia do diretor. Vale fazer uma dobradinha com “O Guerreiro de Aço” (Man of Iron), uma ótima “continuação” do filme passada vinte anos depois com o mesmo astro principal.
Irmãos de Sangue (Blood Brothers, 1973)
Chang (David Chiang) e Huang (Chen Kuan Tai) são dois irmãos ladrões que se unem com Ma (Ti Lung) em sua jornada em busca de glória. Mas a paixão entre o ambicioso Ma e a esposa de Huang irá trazer sérios problemas a irmandade. A busca pela fortuna sobrepujando a união sempre terminou mal no cinema do diretor. Filme recomendado para quem gosta do filme “Bala na Cabeça”, de John Woo, um “Changuista” ferrenho.
O Grande Mestre da Morte (Grande Master of Death AKA New Shaolin Boxers, 1976)
Alexander Fu Sheng é um jovem com talento no kung fu e um forte senso de justiça que compra briga com bandidos que oprimem os moradores da cidadezinha que mora. Esse me surpreendeu, a trama é bastante lugar comum no gênero, parece um filme do começo dos anos 70, mas acaba transcendendo. Um filme mais belo e trágico do que esperava. Recomendadíssimo.
Os Cinco Venenos de Shaolin (Five Venoms, 1978)
Um moribundo mestre de kung fu treina cinco discípulos em diferentes técnicas mortais. Porém, receoso de que alguns deles possam usar o que aprendeu para o mal, envia seu sexto discípulo em uma busca para impedir que os vilões triunfem, sendo necessário que este se una aos lutadores honestos. Mas têm um detalhe: todos os alunos treinavam usando máscaras, de maneira que não se sabe quem são os bons e os maus. O “whodunnit” de Chang Che pode não ser o maior filme de mistério já filmado, mas o diretor equilibra o drama e a ação com sua competência habitual, além de ter revelado ao mundo o grupo de atores que passaram a ser conhecidos como Venoms, como o excelentíssimo Kuo Choi AKA Philip Kwok, o pistoleiro sem um olho de “Fervura Máxima”.
Combate Mortal (Crippled Avengers, 1978)
Um cego, um surdo-mudo, um homem sem pernas e um louco se unem para enfrentar um terrível tirano e seu filho, um assassino que não têm as mãos. Não preciso dizer mais nada.
2 Campeões de Shaolin (Two Champions of Shaolin, 1979)
Esse é sensacional. Shaolin e Wu Tang envolvidos em ideologias políticas diametralmente opostas se enfrentam, numa guerra que não vai poupar ninguém. O final deste filme chega quase ao niilismo e tem alguns dos melhores combates de todos os tempos. Mais uma parceria do diretor com os Venoms, com o “Sapo” Lo Meng como astro principal.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Ninja Assassino (Ninja Assassin - 2009)

 
Amigos, essa postagem deveria ter sido feita dias antes, mas antes tarde que mais tarde ainda O ano de 2009 foi cercado de certa expectativa para todos os entusiastas dos filmes de ninja: os irmãos Wachowski com sua produção "Ninja Assassino" (Ninja Assassin) e Isaac Florentine com "Ninja" (Idem). Enquanto o primeiro contava com a direção de James McTiegue- seja isso bom ou ruim, não vi "V de Vingança"-, um popular astro pop coreano (o que é quase garantia de porcaria) e com as cenas de ação coordenadas pela equipe 87 Eleven, considerada uma das melhores do mercado, além de milhões de dólares, o que os permitiu realizar parte do filme em Berlim, o segundo contava com Scott Adkins no papel principal, coreografia feita por Akihiro Noguchi, responsável pela ação do filme "O Faixa-Preta", e tiveram de filmar na Bulgária fingindo estarem em Nova York. Resultado Final? Dinheiro não compra qualidade...

Enquanto o primeiro filme contou até com J. Michal Straczynski  como roteirista e com a produção da dupla que "revolucionou" o cinema de ação hollywoodiano, além de terem exposto o astro principal, de nome Rain, a uma severa rotina de atividades físicas que permitiram que o ator enganasse muito bem nas cenas de luta, com uma veracidade raramente atingida por atores sem formação marcial. Porém, o filme foi em boa parte estragado pela falta de habilidade de McTiegue, que com sua câmera tremida arruinou meses de muito trabalho. Cacete, pra quê o esforço em ter os melhores do mercado e filmar tudo como se tivesse que esconder limitações na gravação? Nem Sam Firstenberg faria isso! O filme no geral não é ruim, a história, mesmo clichê e com furos de lógica, tem um clima mais "quadrinho" do que várias adaptações pra cinema e é um passatempo com bastante ação, participação do honorável  Shô Kosugi como o mestre do mal, e um bocado de sangue, embora em um óbvio CG. Aliás, os efeitos visuais deixam muito a desejar, principalmente se levarmos em conta que os envolvidos no filme realizaram "Matrix".

Outro destaque, não sei se positivo ou negativo, é a falta de expressão do ator principal. Quando assisti ao American Ninja 4, episódio que reúne Michael Dudikoff e David Bradley, finalmente percebi que menos é mais quando se atua em um filme de ação. Quero dizer, se o ator prefere usar a mesma cara do começo ao fim do filme ele irá convencer mais do que se tentar expressar mais de uma expressão. Dudikoff provou que mesmo sendo incrivelmente pior que Bradley nas cenas de ação, ele parece mais durão. O mesmo podemos dizer de Rain: sua atuação no melhor estilo Jean Claude Van Damme combinado a uma voz mais empostada, mais grave, o tornam mais parecido com um guerreiro que Adkins em Ninja, embora o segundo varresse o chão com o primeiro. Claro que ser oriental faz qualquer um convencer mais como um ninja, mas não vou entrar nesses méritos.

No fim das contas, Isaac Florentine e Adkins são uma dupla muito mais poderosa que quaisquer "visionários" de Hollywood quando estes decidem fazer ação. "Ninja Assassino" é a prova de que a década passada desaprendeu a fazer filmes de luta. Divertido, mas poderia ter sido bem melhor.

Isaac Florentine e Scott Adkins: a resposta ocidental a Wilson Yip e Donnie Yen

Quem quiser conferir o making off do "Ninja Assassino", clique aqui. É mais interessante do que algumas partes do filme. Podem também conferir os textos do Ronald e Osvaldo sobre o filme do Adkins.

Zooey Deschanel & Joseph Gordon Levitt - Why do you let me stay here?

Dirigido por Marc Webb de, bom, vocês sabem.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

George Romero faz 70 anos

George Andrew Romero faz hoje 70 anos de idade e, para comemorar, recomendo assistirem um dos maiores clássicos de terror de todos os tempos. Bom, ao menos dos meus tempos.
O gente boa Jason Flemyng num papel interessantíssimo de um homem que precisa perder sua própria face para recuperar a si mesmo. Mais do que uma história de morte e vingança,  uma afirmação da individualidade do homem e da importância de ser fiel a si mesmo. Conta ainda com a participação da banda The Misfits. Indicados a todos aqueles que acham que Romero só sabe fazer filmes de zumbis.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

“Eu costumava comer caras como você na prisão”


Enquanto visitava o blog do amigo Renzo Mora, em sua postagem sobre um livro americano sobre filmes ruins, deparei-me com a pequena citação, que titula este meu texto. Essa  que é apenas uma de várias outras pérolas da dramaturgia mundial, foi proferida por um dos malfeitores presentes no filme “Matador de Aluguel” (Road House, 1989), do diretor Rowdy Herrington. Produzido em uma época mágica onde os tiros sangravam, o casal principal fazia sexo, raramente se matavam menos de 50 pessoas e o  falecido Patrick Swayze se dividia entre bancar o homem dos sonhos das mulheres e defender oprimidos de malfeitores sodomitas.  É uma pequena gema que lida com a figura de um mártir (no caso Dalton, um leão-de-chácara) que ao se deparar com a perdição, anarquia e caos tenta fazer a diferença, trazendo a paz e a harmonia em um local que não parecem conhecer essas palavras . Mas no lugar de uma bíblia e uma palavra amiga, ele tinha seus pés e punhos. 
Dalton dissertando sobre o ensaio "A Utopia", de Thomas More
Um tema que se repete várias vezes na filmografia americana, mas poucas vezes de maneira tão poética. Embora muitos críticos fossem acusar o filme de imperialista, já que a violência é moralizada na história e em momento algum a figura dos oprimidos pelo cruel Brad Wesley (encarnado com primor por Ben Gazzara) se mostram tão vivos e capazes longe da presença de Dalton. É como um "Novo Cristo", voltando para salvar os oprimidos. Hão também de criticar que a figura da bela médica Elizabeth “Doc” Clay ( uma estonteante Kelly Lynch) só se faz presente para servir de vítima e de amante do herói,  o velho reducionismo da figura feminina. Provavelmente até mesmo belíssimas cenas como em que Dalton e seus colegas impedem um grupo de pit boys de entrarem sem estabelecimento sem ser por uma conversa tomando um chá ou quando Denise (o colosso Julie Michaels), namorada do vilão, dança sensualmente, culminando em um striptease, serão vistas como baixas, como símbolos de uma época decadente, porém superada na história do cinema americano.  Provavelmente o fato do protagonista ser um segurança de boates que REALMENTE prefere tentar uma certa dose de diplomacia antes de usar suas verdadeiras habilidades seria acusado de falta de realismo, como se isso importasse à trama.
Um herói e um amante - a síntese perfeita da carreira de Swayze nos anos 80

Mas não se iludam, leitores. É apenas a retratação da superação de si mesmo através da perseverança. Um filme sobre fazer o que é certo, é essa a questão posta em pauta pelo diretor. Como disse, pode ser um tema batido, mas não é a “originalidade” que importa, mas a condução, o que ele nos diz sobre nós mesmos. A ausência desse filme no Oscar do ano de seu lançamento e mesmo sua ausência mesmo nas mais respeitosas listas de “Melhores de Todos os Tempos” jamais será compreendida por mim. Mas tudo bem. Certas obras nasceram muitos anos mais cedo do que deveriam.
 Uma pequena demonstração da boa vontade de Dalton para com o próximo: