segunda-feira, 9 de novembro de 2009

(500) Dias Com Ela ((500) Days of Summer-2009)



Garoto conhece Garota. Garoto se apaixona pela Garota. Garoto “seca” a Garota todos os dias. Garoto demora muito tempo pra se aproximar efetivamente da Garota. Garoto, finalmente, fica com a Garota. Garoto e Garota começam a sair com regularidade. Garoto e Garota adoram a companhia um do outro. O mundo é bom, a vida é boa. É possível ser feliz e pleno. Garoto não poderia ser mais feliz, já que acredita ter finalmente encontrado a “metade da maçã”. Porém, Garota não acredita em “metades”. Garota gosta do Garoto, mas chega um momento que deixa de gostar dele da mesma maneira que antes. Garota decide terminar com Garoto. Garoto não entende o porquê disso, e tenta reatar com Garota. Mas Garota não quer mesmo mais nada. “Quando tu me deixares/ Me envolverão as sombras” cantou uma vez Altemar Dutra. O mundo perde o sentido para o Garoto. “Como pôde fazer isso?” “Mas éramos tão perfeitos um para o outro...” “Como posso ser tratado como aquilo que sai do traseiro dos cães?”

Caso os envolvidos na criação e produção de “(500) Dias Com Ela” decidissem ir por um caminho mais sério e trágico, poderiam até mesmo colocar como teaser publicitário a velha frase “Poderia acontecer com você”. Mas estamos falando de uma comédia romântica, oras! Em algum momento o casal tem que ser feliz. E, na visão do filme, a felicidade é possível sim. Só não exatamente da maneira como o gênero costuma mostrar. A trama é como descrita acima: mostra como Tom Hansen (Joseph Gordon Levitt) conhece a maravilhosa Summer Finn (Zooey Deschanel), apaixona-se perdidamente e por 500 dias experimenta o céu e o inferno de uma intensa relação de amor.

Um dos grandes baratos da direção de Marc Webb foi pegar o velho “Garoto conhece Garota” e recauchutá-lo com alguns elementos já comuns no cinema comercial, como uma inspirada trilha sonora pop e uma montagem não linear, mostrando numa cena o casal já em crise e em seguida outra onde o amor está em seu ápice, mas sendo muito menos forçado e lugar comum que “clássicos” do gênero como “Sintonia de Amor”, sem perder uma certa dose de cafonice, afinal, é uma história de amor. A cena que acompanha o dia seguinte à primeira noite de amor com a moça, onde o protagonista segue para o trabalho num número de musical, não é exatamente novo, mas é sensacional. Mais interessante ainda é o corte pra próxima cena que mostra a mesma chegada ao trabalho meses depois, já separado da moça e com uma expressão melancólica e desesperançada.

Um grande mérito do filme se deve a riqueza da personagem de Zooey Deschanel. De maneira alguma o filme a retrata como uma pessoa ingrata e de alminha pérfida, embora nos dê a impressão em um primeiro momento. Claro que não deixamos em momento algum de torcer pelo rapaz, é principalmente a sua visão que o filme privilegia, mas ao fim da projeção é possível compreender melhor o que acontece a ela e, quem sabe, a desejar o melhor pra ela. A cena em que ambos estão no cinema assistindo “A Primeira Noite de Um Homem” e deixa bem claro que o mundo para ela é mais cinza que o dele. Embora, confesso, ainda ficou dentro de mim um delicioso e agridoce desejo de que ela se dane. Um sujeito presente na mesma sessão que eu se lavantou revoltado minutos antes do fim da mesma. Acho que ele não gostou do que viu. Pois se não gostou é porque não entendeu. Babaca.

Aliás, um detalhe que chama a atenção é que no filme é a moça quem toma todas as atitudes, seja a de começar ou a de terminar a relação. Outra figura feminina que se mostra com bastante força é a irmã mais nova de Tom, Rachel (Chloe Moretz). Embora ainda uma menina, ela dá conselhos mais amadurecidos e realistas que os amigos homens já adultos de Tom, o que gera um engraçado estranhamento na trama. Talvez seja um certo reflexo de uma certa “inversão de papéis” que vem acontecendo na relação entre homem e mulher, onde ao mesmo tempo em que o homem abraça o seu lado feminino da maneira mais estranha e, por vezes, imbecil e gay, vide o fenômeno do metrossexualismo, as moças tem ficado cada vez mais pegadoras, devoradoras, vide fenômenos pop como a Beyoncé, as Pussycat Dolls e até mesmo as mulheres frutas.  Não que o filme queria discutir isso, em momento algum o diretor se aprofunda nessa questão, mas é sem dúvida um traço um bocado curioso.

Contudo, não se enganem: alguns clichês se fazem presentes, como elemento “superação de si mesmo”, onde o rapaz é retratado como alguém que faz aquilo que não ama. Não me referindo a moça, óbvio, o rapaz adora fazê-la. A narração presente em vários momentos para nos aprofundar a trama também é questionável. Apesar de parte do humor do filme se dever à algumas das pequenas esquetes que ela apresenta, ela pode ser sim vista por alguns como um pequeno “vício”, lembrando um pouco os comentários e gracinhas presentes no filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Mas de modo algum que esses elementos atrapalham a mensagem do filme. Embora ainda jogando com algumas pequenas “regras” do gênero, o produto final é de um frescor muito bem vindo. Pra assistir e ficar feliz.

Sid e Nancy, por Marc Webber

Na cena em que Summer decide terminar com Tom, ela diz que acha que a relação deles é parecida com a de Sid e Nancy, só que ela seria o Sid. Os atores e o diretor da película participaram de um projeto chamado “Cinemash”, onde eram feitas paródias de filmes famosos, recriando com um maravilhoso miscast, trechos de filmes como “Dirty Dancing” e “Carrie”. Marc Webber dirigiu um curta baseado em “Sid e Nancy”, com Zooey Deschanel interpretando o punk e Joseph Gordon-Levitt fazendo o papel da moça. Sensacional. Para assistir aos outros trabalhos, clique aqui.

<a href="http://video.msn.com/?mkt=en-us&amp;fg=MsnEntertainment_idseeitif_top2&amp;vid=5db01b36-af64-41f0-91b8-ef86e818f69b" target="_new" title="Zooey Deschanel and Joseph Gordon-Levitt Cinemash "Sid and Nancy"">Video: Zooey Deschanel and Joseph Gordon-Levitt Cinemash "Sid and Nancy"</a>

5 comentários:

Just Daniel disse...

Q merda, me sinto como o último q ainda não viu essa joía. Odeio quando isso acontece.

E o curta é genialíssimo. hahaha. Se bem q a Zoey tá parecendo mais a Kristen Stewart como Joan Jett do q com o Vicious. hahaha.

Osvaldo disse...

Até eu já assisti. Belo filme mesmo.

FELLIPE KNOPP disse...

Fala babaca! Como estás?

Gostei do Bolg!Tá bem legal!Já viraste cineasta ou só cinéfilo por ora?

(Ó: vamos me devolver as corruiras nanicas, tá bom! Hehehe! Mas, leia " A gorda do Tiki bar")

Boa Sorte, com o blog e tudo o mais

Abraços

Luiz Alexandre disse...

Daniel, filmaço cara!
Você já tinha comentado em algum dos blogs sobre ele, não? Realmente um filmão, pipocassa feita por gourmet.

Osvaldo, é aquilo, né? Não é o "Caçador de Recompensas", mas também é perfeitamente assistível! ;)

Fellipe, bom te ver por aqui! Comentário em seu blog, abração!

Anônimo disse...

Olá amigo,

Por incrível que pareça, estava procurando no Google a letra dessa musica de Altemar Dutra que vc citou e não encontrei, apesar de ter ouvido muito em minha infância no inicio dos anos 80. Não sei o nome dessa musica, mas me lembro dessa letra 'Quando tu me deixares, me envolverão as sombras"... Se vc souber o nome, coloque uma postagem para mim?

Grato!

Nony Man!