Mostrando postagens com marcador Ação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ação. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de agosto de 2010

Os Mercenários (The Expendables, 2010)


Eis que finalmente assisto ao filme que seria o “Cidadão Kane” da “cascagrossice” cinematográfica. Sylvester Stallone chamou alguns dos nomes mais marcantes do cinema de ação dos anos 80, 90 e 00 para fazer um daqueles filmes simples, sem refinamento, mas que envolviam um mínimo de 50 mortes por tiros, facas e espancamentos por parte do protagonista.

Para começar gostaria de lembrar que uma vez eu dizia em uma palestra que dei sobre cinema, uma dessas que faço frequentemente nas mesas de botequim do meu bairro ,onde divido com mais dois indivíduos cujos nomes não me recordo, que não existia violência gratuita no cinema, existem apenas os bons e os maus filmes. Com certeza muitos julgaram este filme, assim como vários outros nas filmografias dos envolvidos no projeto, como  “descerebrado”, desses que faz “apologia a violência gratuita”. Mas, ora bolas, como que um bando de mercenários derrubariam um ditador sulamericano? Com placas dizendo “abaixo a ditadura” e ensaios fenomenológicos de Jean Paul Sartre? Nada contra os acadêmicos, eu mesmo adoro vários pensadores e críticos, mas fazer o Stallone interpretando um leitor de Noam Chomsky que vende seus serviços intelectuais para CIA não faria muito sentido, embora eu acredite que ver o Dolph Lundgren encarnando um Pós-doutor em filosofia, com especialização no pensamento racionalista de Bertrand Russel, faixa preta de Karatê certamente que me chamaria a atenção. Mas já estou divagando. O fato é que “Os Mercenários” é um filme bacana, divertido, mas que rendeu sim menos do que a comunidade cinéfila estava esperando. Quero dizer, é melhor do que muita coisa, mas podia e devia ter sido melhor. Stallone filmando lutas como se fosse o Paul Greengrass é inconcebível. Seria como o David Coverdale lançando um disco tendo como banda de apoio o Simple Plan.

Os personagens então, dispensáveis como diz a tradução literal do título do filme. Jet Li desperdiçado, o momento Schwarza, Sly e Willis meio minguado e com pouco charme. Os destaques vão para Lundgren, divertido como um sujeito com miolos a menos mas agressividade a mais, pro Eric Roberts como a epítome do vilão mau caráter e assassino, dono das melhores tiradas do filme, e Mickey Rourke. Incrível como esse homem consegue trabalhar com tão pouco. O diálogo entre ele e o Stallone, na cena, aliás, mais bem filmada em toda a película, é capaz de comover até o jiujiteiro mais tradicionalista. Agora, o que me deixa meio triste é o Gary Daniels, um dos meus astros favoritos do cinema de baixo orçamento da década de 90, lutar contra o Jet Li e o Jason Statham e a câmera do Stallone atrapalhar a fruição do confronto. Digo, esse deve ter sido o highlight da carreira de Daniels, assim como pro Don Wilson foi aparecer em “Say Anything” ao lado de um jovem John Cusack e, anos mais tarde, enfrentar o Chris O’Donnel em “Batman Eternamente”. Po, isso era pra ser mais marcante que o Billy Drago matando o Sean Connery em “Os Intocáveis”!

Mas, se nem tudo é ouro, não se pode acusar o filme de chato ou um fracasso completo. As lutas mal filmadas são compensadas com boas cenas de tiroteio, o grosso do filme, e as explosões. A cena do Sly com Statham brigando contra militares em Vilena, país fictício onde se passa a história, culminando com a cena do avião ficarão em minha memória por um bom tempo. Se o Stallone acertar as gorduras do filme pra continuação estaremos diante, aí sim, do filmaço prometido.

Mudando de assunto eu, um grande entusiasta de rip offs e outras patifarias, acho que deveriam fazer um filme em que o Eric Roberts, junto do agente interpretado pelo Gary Daniels, tivessem que se juntar aos personagem maluco do Dolph Lundgren pra fazer algum estrago ou dominar algum país pequeno, o que fosse. O título do filme poderia ser "The Company Men" ou "Damnation", uma reflexão sobre a influência de uma certa nação imperialista sobre países de terceiro mundo. Poderiam filmar tudo nas Filipinas, podendo explodir o triplo de coisas caso os preços ainda sejam acessíveis como no passado, e teríamos o melhor dos dois mundos: Eric Roberts em algum monólogo reafirmando sua superioridade e seu desejo em ser soberano, dialogando de maneira psicótica com a teoria do "Super-Homem" Nietszcheana, Dolph Lundgren como o mercenário que participa de qualquer coisa desde que lhe seja permitido matar um monte de gente, numa alusão capenga ao Heidegger e Gary Daniels como o fiel escudeiro de Roberts, que no decorrer do filme perceberia que o poder é corrupto e que deseja abandonar o barco após ajudar o velho companheiro, mas será tarde. A base pra isso seria um plágio descarado ao filme “O Homem que Queria Ser Rei”,  junto ao “Homens de Guerra” com pitadas de “Riot” e “Operação Kickboxer”.As duas últimas seriam apenas porque são dois de meus filmes favoritos do Daniels e do Roberts, respectivamente., não queria dar atenção apenas ao Lundgren. Eu até colocaria o Kenneth Tigar e o Philip Rhee como coadjuvantes e uma foto do Brandon Lee com o Lundgren, tirada dos sets do “Massacre no Bairro Japonês”, em homenagem ao falecido. Poderiam até mesmo mostrar um Flashback do Lee dizendo a ele “você tem o maior pênis que já vi”, para reforçar a intimidade entre os dois. no passado e como sua ausência parece ter deixado um buraco no peito de Lundgren. Bom, talvez a ultima parte pudesse ser diferente. O importante é algum produtor picareta ler esta postagem, arrumar o dinheiro e fazer o filme. Fiquemos na espera! 


Atualização: O senhor Otávio Pereira, mais conhecido como Octavius, do Neurovisual Experiences, sugeriu que na já clássica cena do Flashback de Dolph Lundgren recordando Brandon Lee, rolasse uma canção de amor no plano de fundo. Sugeri inicialmente Cindy Lauper, mas acho que essa aqui traduziria melhor a relação entre os dois personagens: 

quinta-feira, 18 de março de 2010

Por um punhado de Resenhas – 1ª Parte

Amigos: como vocês sabem, além de arrogante, bobo, sem graça, gordo, feio e não ter uma namorada, eu também sou um péssimo blogueiro. Se fossemos comparar minha atuação e atenção com este blog com uma relação amorosa, bom, acho que eu seria o Kiefer Sutherland e o “Mad Blog” a Julia Roberts. Mas deixemos de conversa e vamos começar estas mini resenhas com filmes de ação que assisti recentemente.

Lutador de Rua (Blood and Bone, 09) de Bem Ramsey

Essa produção lançada direto no mercado de DVD é uma mostra de que tendo um roteiro mais ou menos nas mãos de um diretor que não filme cenas de ação como um completo imbecil e tenha certa noção de ritmo, embora não seja um Isaac Florentine, e um sujeito carismático que seja bom de luta e possua firmeza em atuar com uma expressão apenas (coisa muito mais difícil do que as pessoas pensam), sai algo possível de ser consumido com a mesma empolgação com que se come um prato de jardineira tomando uma cerveja com os amigos em um botequim sujo de esquina. Longe de ser perfeito e repleto de gordurinhas, mas cai que é uma maravilha se o seu paladar e estômago forem fortes. Historia simples: ex-presidiário se envolve em lutas ilegais para realizar um secreto plano de vingança. Michael Jai White deve ser um dos caras mais subestimados da industria e é difícil de acreditar que o diretor do filme seja o roteirista da famigerada adaptação de Dragon Ball Z. Muita porrada, coreografada por J.J. Perry e participações especiais de Kimbo Slice, Bob Sapp e da linda Gina Carano em uma rápida porém simpática ponta. Pra quem acha que filme bom tem que ter no mínimo cinqüenta pessoas com o nariz quebrado.

Merantau (idem, 09) de Gareth Evans

Esse também é bacana. Aliás, bacaníssimo. Trama simples, similar a do tailandês “Ong Bak”, onde o protagonista Yuda (o novato Iko Uwais), jovem do interior que vai a cidade querendo ser um mestre de artes marciais, usa todas as suas técnicas em Silat para descer o sarrafo em traficantes de mulheres. Destaque para as excelentes cenas de luta e para os vilões Ratger e Luc, interpretados por Mads Koudal e Laurent Buson. O primeiro não luta tão bem quanto o segundo, mas deu bastante gás em sua interpretação de vilão sanguinário, pervertido e possivelmente homossexual, e aparentemente é um ator de certa fama na Dinamarca. Já Buson, pelo que li na internet, é membro de uma equipe de dublês de Hong Kong formada apenas por ocidentais, o que não e pouca merda não. Que o cinema Indonésio lance mais filmes como esse. O protagonista, como devem ter percebido pela minha economia em elogios, não tem tanta presença e certamente tem pouca intimidade com as câmeras, mas é muito talentoso como performer e achei sua atuação superior a de Tony Jaa em sua estréia. Claro que isso interessa menos do que a Karina Bacchi vestida com trajes de mulheres islâmicas discorrendo sobre o Alcorão, mas é um ponto positivo, espero que um novo astro tenha nascido com esse filme. Detalhe que a versão que assisti é a que saiu nos Estados Unidos, que, de acordo com o IMDB, tem cerca de 28 minutos a menos. Se alguém souber o que perdi (ou mesmo ganhei) vendo essa versão, por favor, me diga.

A Luta do Dragão (Dragon Fight, 89) de Billy Tang

Esse é da época em que Jet Li era Jet Lee. Antes das cordas e de interpretar Wong Fei Hung, ele interpreta um jovem mestre em Wushu, Jimmy, que, graças a um crime cometido pelo seu “irmão” Tiger (o ótimo Dick Wei), acaba ficando na América como fugitivo e imigrante ilegal. Enquanto ele tenta seguir com sua vida trabalhando em um mercadinho com o mulherengo e cafajeste Andy (Stephen Chow, também antes de virar superstar), Tiger se torna homem de confiança da máfia chinesa. Claro que uma hora isso vai dar merda... Não é um dos melhores da carreira do Li, mas é um filme bem divertido e com cenas de ação bem bacanas. Uma boa oportunidade de ver o astro saindo no braço sem artifícios. Agradeço ao amigo Takeo Maruyama, que me arrumou uma cópia do DVD gringo por um preço camarada. Até as próximas, onde falo das comédias que vi recentemente.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Ninja Assassino (Ninja Assassin - 2009)

 
Amigos, essa postagem deveria ter sido feita dias antes, mas antes tarde que mais tarde ainda O ano de 2009 foi cercado de certa expectativa para todos os entusiastas dos filmes de ninja: os irmãos Wachowski com sua produção "Ninja Assassino" (Ninja Assassin) e Isaac Florentine com "Ninja" (Idem). Enquanto o primeiro contava com a direção de James McTiegue- seja isso bom ou ruim, não vi "V de Vingança"-, um popular astro pop coreano (o que é quase garantia de porcaria) e com as cenas de ação coordenadas pela equipe 87 Eleven, considerada uma das melhores do mercado, além de milhões de dólares, o que os permitiu realizar parte do filme em Berlim, o segundo contava com Scott Adkins no papel principal, coreografia feita por Akihiro Noguchi, responsável pela ação do filme "O Faixa-Preta", e tiveram de filmar na Bulgária fingindo estarem em Nova York. Resultado Final? Dinheiro não compra qualidade...

Enquanto o primeiro filme contou até com J. Michal Straczynski  como roteirista e com a produção da dupla que "revolucionou" o cinema de ação hollywoodiano, além de terem exposto o astro principal, de nome Rain, a uma severa rotina de atividades físicas que permitiram que o ator enganasse muito bem nas cenas de luta, com uma veracidade raramente atingida por atores sem formação marcial. Porém, o filme foi em boa parte estragado pela falta de habilidade de McTiegue, que com sua câmera tremida arruinou meses de muito trabalho. Cacete, pra quê o esforço em ter os melhores do mercado e filmar tudo como se tivesse que esconder limitações na gravação? Nem Sam Firstenberg faria isso! O filme no geral não é ruim, a história, mesmo clichê e com furos de lógica, tem um clima mais "quadrinho" do que várias adaptações pra cinema e é um passatempo com bastante ação, participação do honorável  Shô Kosugi como o mestre do mal, e um bocado de sangue, embora em um óbvio CG. Aliás, os efeitos visuais deixam muito a desejar, principalmente se levarmos em conta que os envolvidos no filme realizaram "Matrix".

Outro destaque, não sei se positivo ou negativo, é a falta de expressão do ator principal. Quando assisti ao American Ninja 4, episódio que reúne Michael Dudikoff e David Bradley, finalmente percebi que menos é mais quando se atua em um filme de ação. Quero dizer, se o ator prefere usar a mesma cara do começo ao fim do filme ele irá convencer mais do que se tentar expressar mais de uma expressão. Dudikoff provou que mesmo sendo incrivelmente pior que Bradley nas cenas de ação, ele parece mais durão. O mesmo podemos dizer de Rain: sua atuação no melhor estilo Jean Claude Van Damme combinado a uma voz mais empostada, mais grave, o tornam mais parecido com um guerreiro que Adkins em Ninja, embora o segundo varresse o chão com o primeiro. Claro que ser oriental faz qualquer um convencer mais como um ninja, mas não vou entrar nesses méritos.

No fim das contas, Isaac Florentine e Adkins são uma dupla muito mais poderosa que quaisquer "visionários" de Hollywood quando estes decidem fazer ação. "Ninja Assassino" é a prova de que a década passada desaprendeu a fazer filmes de luta. Divertido, mas poderia ter sido bem melhor.

Isaac Florentine e Scott Adkins: a resposta ocidental a Wilson Yip e Donnie Yen

Quem quiser conferir o making off do "Ninja Assassino", clique aqui. É mais interessante do que algumas partes do filme. Podem também conferir os textos do Ronald e Osvaldo sobre o filme do Adkins.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

“Eu costumava comer caras como você na prisão”


Enquanto visitava o blog do amigo Renzo Mora, em sua postagem sobre um livro americano sobre filmes ruins, deparei-me com a pequena citação, que titula este meu texto. Essa  que é apenas uma de várias outras pérolas da dramaturgia mundial, foi proferida por um dos malfeitores presentes no filme “Matador de Aluguel” (Road House, 1989), do diretor Rowdy Herrington. Produzido em uma época mágica onde os tiros sangravam, o casal principal fazia sexo, raramente se matavam menos de 50 pessoas e o  falecido Patrick Swayze se dividia entre bancar o homem dos sonhos das mulheres e defender oprimidos de malfeitores sodomitas.  É uma pequena gema que lida com a figura de um mártir (no caso Dalton, um leão-de-chácara) que ao se deparar com a perdição, anarquia e caos tenta fazer a diferença, trazendo a paz e a harmonia em um local que não parecem conhecer essas palavras . Mas no lugar de uma bíblia e uma palavra amiga, ele tinha seus pés e punhos. 
Dalton dissertando sobre o ensaio "A Utopia", de Thomas More
Um tema que se repete várias vezes na filmografia americana, mas poucas vezes de maneira tão poética. Embora muitos críticos fossem acusar o filme de imperialista, já que a violência é moralizada na história e em momento algum a figura dos oprimidos pelo cruel Brad Wesley (encarnado com primor por Ben Gazzara) se mostram tão vivos e capazes longe da presença de Dalton. É como um "Novo Cristo", voltando para salvar os oprimidos. Hão também de criticar que a figura da bela médica Elizabeth “Doc” Clay ( uma estonteante Kelly Lynch) só se faz presente para servir de vítima e de amante do herói,  o velho reducionismo da figura feminina. Provavelmente até mesmo belíssimas cenas como em que Dalton e seus colegas impedem um grupo de pit boys de entrarem sem estabelecimento sem ser por uma conversa tomando um chá ou quando Denise (o colosso Julie Michaels), namorada do vilão, dança sensualmente, culminando em um striptease, serão vistas como baixas, como símbolos de uma época decadente, porém superada na história do cinema americano.  Provavelmente o fato do protagonista ser um segurança de boates que REALMENTE prefere tentar uma certa dose de diplomacia antes de usar suas verdadeiras habilidades seria acusado de falta de realismo, como se isso importasse à trama.
Um herói e um amante - a síntese perfeita da carreira de Swayze nos anos 80

Mas não se iludam, leitores. É apenas a retratação da superação de si mesmo através da perseverança. Um filme sobre fazer o que é certo, é essa a questão posta em pauta pelo diretor. Como disse, pode ser um tema batido, mas não é a “originalidade” que importa, mas a condução, o que ele nos diz sobre nós mesmos. A ausência desse filme no Oscar do ano de seu lançamento e mesmo sua ausência mesmo nas mais respeitosas listas de “Melhores de Todos os Tempos” jamais será compreendida por mim. Mas tudo bem. Certas obras nasceram muitos anos mais cedo do que deveriam.
 Uma pequena demonstração da boa vontade de Dalton para com o próximo:

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Garantia de Morte (Death Warrant - 90)


Depois de ver obras sensíveis e refrescantemente originais como "(500) Dias Com Ela" e "Fados", é bom voltar a sentar no sofá e curtir um filme que, apesar de um tanto rústico, também te põe em estado de Alfa, embora de uma maneira ligeiramente diferente. Deixando de lado a beleza e sentimento do fado ou das consequencias agridoces do amor, nada melhor do que ver Jean Claude Van Damme numa prisão de segurança máxima comendo o pão que o diabo amassou em "Garantia de Morte", com direito a ameaças de sodomia, chutes na cara e outras gentilezas.

No filme ele interpreta o obstinado policial Louis Burke, que após o fim de um longo e complicado caso, a captura do perigoso serial killer Sandman (o magnífico Patrick Kilpatrick), conhecido na dublagem brasileira "João Pestana", resolve aceitar uma perigosa missão: infiltrar-se numa prisão onde tem acontecido uma série de misteriosas e aparentemente não relacionadas mortes de detentos. Contando apenas com a ajuda da bela advogada Amanda Beckett (Cynthia Gibb), ele vai ter que andar no sapatinho e, eventualmente, baixar o sarrafo nos colegas de cela para não ser descoberto. Mas ele vai descobrir que toda uma trama envolvendo prisioneiros e os guardas da prisão, como o cruel Sargento Burke (interpretado pelo também incrível Art LaFleur).


Até que prum filme do Deran Serafian, atualmente diretor de séries de TV, como a premiada "House", com roteiro de, pasmem, David Goyer, que não conseguiu dar a mesma graça a franquia Blade ou ao Batman, "Garantia de Morte" se sustenta muito bem. Na verdade é um dos melhores veículo do Van Damme antes de ser lançado ao topo de Hollywood. Aliás, como já diziaalguém disse nos comentários do blog Cine Demência de Leopoldo Tauffenbach, em sua postagem homenageando Chong Li, o Van Damme sempre contou com vilões interessantes para duelar ao fim de seus filmes, e esse não é excessão. O Ameaçador Kilpatrick dá ao seu "João Pestana" uma dignidade que poucos vilões indestrutíveis estilo Jason conseguem ter, conquistando merecidamente seu lugar no "Hall dos Inimigos do Van Damme". Uma pena que Hollywood prefira dar papéis importantes a sujeitos "carismáticos" e "talentosos" como Keanu Reeves ou Orlando Bloom do que a indivíduos como Kilpatrick.

Em suma, contando com personagens carismáticos como o velho Hawkins (Robert Guillaume), o bizarro Padre (Abdul Salaam Razzac), a bonitinha Amanda de Cynthia Gibb e os citados Burke e o temível Sandman e até mesmo alguns diálogos bem simpáticos, embora lugar comum (temos até o cansado "Isso é uma ameaça? Não, é uma promessa" saindo das bocas dos personagens), poucos filmes de prisão possuem o mesmo clima de dureza e diversão que este aqui.  Para assistir com sua namorada depois de ela te obrigar a ver o novo filme da franquia "Crepúsculo".

Trailer Cannon Style:

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Fuga Mortal (Joshua Tree aka Army of One-1993)




Essa é para tentar esquecer as más novas da postagem anterior. Wellman Anthony Santee (Lundgren) é um ex-corredor que trabalha transportando carros de luxo roubados. Um dia, quando estava na estrada acompanhado de seu amigo, fazendo mais um “trabalhinho”, é parado por um patrulheiro.Contudo, alguém lhe preparou uma cilada e mata o policial, seu amigo e ainda o presenteia com um balaço no meio dos peitos. Depois de uma temporada no hospital é sentenciado a prisão de segurança máxima pelo homicídio que não cometeu. No meio do caminho os guardas que o transportavam tentam executá-lo. Mas ele consegue fugir, seqüestra uma mulher, sem saber que ela também é tira, rouba seu lindo carro e, durante o resto do filme irá buscar vingança contra o Tenente Severance (George Segal), o responsável pela cilada.

A história é uma bobagem, com erros de lógica grosseiros e com cenas dispensáveis. Mas ver o Dolph Lundgren dirigindo uma Ferrari em alta-velocidade, mandando bala em uma quadrilha de bandidos chineses, numa cena óbvia e declaradamente copiada dos filmes de John Woo, e o George Segal como um dos vilões mais cornos e cínicos do cinema vale a pena. Principalmente se compararmos com “filmes de carros” feitos hoje em dia, como a franquia “Velozes e Furiosos”.  O  personagem de Lundgren além de vencer o Vin Diesel na corrida, ainda baixaria o cacete nele e no Paul Walker e roubaria as mulheres dos dois. Tudo isso com um ferimento de bala que ele carrega o filme inteiro!

Pena que Vic Armstrong não dirigiu mais vezes. Aparentemente a oportunidade surgiu após ter dirigido o filme “Duplo Impacto”, de 91, com Jean Claude Van Damme, depois de Sheldon Lettich ter saído após duas semanas de filmagem. Como ele permitiu que Lettich fosse creditado em seu lugar, Armstrong, que na época já era um coordenador de dublês e diretor de segunda unidade de filmes como “Guerreiros de Fogo”, “Viva e Deixe Morrer” e “Vingador do Futuro”, conseguiu apoio de produtores para realizar este que é um dos melhores filmes do sueco e, infelizmente, o único filme para cinema em sua brevíssima carreira como diretor. Ele poderia ter sido um dos melhores marreteiros do cinema de ação.

Não tenham dúvidas, o filme é direcionado ao público masculino. Onde mais você veria uma policial que se veste como uma puta de luxo dando um fora no namorado bonzinho, sendo seqüestrada pelo bad boy, tratada com uma considerável dose de desprezo pelo mesmo boa parte do filme e, ainda por cima, se apaixonando? É quase como se Nelson Rodrigues, sabedoria de boteco e Mark Lester se fundissem. O resultado não é caviar, mas resulta num mocotó caprichado. Se você é daqueles que considera filmes sem peitos, sangue e com menos de 30 mortes para maricas, não deixe de conferir.

 
Curiosidade: O título original do filme é “Joshua Tree”, o destino do protagonista no filme, mas foi alterado nos EUA para “Army Of One” para não confundirem com o álbum do U2. Embora o batismo de ambos fosse o mesmo, a “Árvore de Josué” presente no deserto de Mojave, definitivamente o “Mötorhead” talvez soe mais próximo ao espírito do filme.

 TRAILER DO FILME: